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U-581: naufrágio de submarino da II Guerra Mundial encontrado nas profundezas dos Açores

Os destroços do U-581 encontram-se a 870 metros de profundidade e formam um autêntico recife de corais de águas frias

Kirsten e Joachim Jakobsen da Fundação Rebikoff-Niggeler localizaram o naufrágio do submarino de guerra alemão U-581. No dia 2 de fevereiro de 2017 fez exatamente 75 anos que este submarino naufragou em frente à costa sul da ilha do Pico/Açores, após ter sido perseguido e atacado pelo navio HMS Westcott, um destroyer inglês que se encontrava no Faial.

Os destroços do U-581 representam uma oportunidade científica sem par, sendo que o naufrágio se transformou num verdadeiro recife artificial em grande profundidade colonizado por corais de águas frias.

Breve história do afundamento: O U-581 dirigiu-se para os Açores, à busca do navio de carga inglês Llanggiby Castle que supostamente se encontrava no porto da Horta, na altura um porto de abrigo para salvaguarda e abastecimento. O navio inglês HMS Westcott, um destroyer inglês que se encontrava no Faial, detetou o submarino alemão, perseguiu-o e lançou cargas de profundidade.

Kirsten-and-Joachim-Jakobsen
Turm
Heck

O impacto destes causou fortes danos no submarino. A seguir, o comandante do U-581 deu ordem para subir à superfície. Depois, mandou abandonar e afundar o submarino.

O U-581 naufragou na manhã de 2 de Fevereiro de 1942, em frente à costa de S. Mateus, na Ilha do Pico. 4 marinheiros morreram à superfície por cargas de água, um tripulante conseguiu nadar até à costa do Pico, onde foi salvo por habitantes da ilha, os restantes 41 tripulantes ficaram prisioneiros de guerra.

 

Numa primeira fase decorrida entre março e setembro de 2016, a equipa da Fundação Rebikoff-Niggeler localizou o sítio dos destroços do U-581, primeiro estudando os relatórios sobre o afundamento e, a seguir, usando equipamentos de alta tecnologia,  incluindo métodos de deteção remota com sonar multifeixe e sonar de varrimento lateral, numa área de busca com cerca 4 x 8 milhas náuticas.

 

 

 

Os operadores do submersível LULA1000, Kirsten e Joachim Jakobsen, verificaram a posição do naufrágio, no dia 13 de setembro de 2016, através do submersível tripulado LULA1000, encontrando-se numa profundidade de 870 metros, a sul de S. Mateus, Ilha do Pico. A prospeção decorreu com a devida autorização da Direção Regional da Cultura do Governo Regional dos Açores.

Exatamente 75 anos mais tarde, o naufrágio representa um sítio precioso para estudar as condições que levam à formação de recifes de corais em grande profundidade. Estes são considerados ecossistemas vulneráveis. Até agora, ainda se sabe muito pouco sobre as taxas de crescimento de corais de águas frias.

É conhecido que algumas espécies têm uma taxa de crescimento extramemente lenta e que podem viver várias centenas de anos, algumas espécies até vários milhares de anos.

O sítio dos destroços de U-581 representa uma oportunidade científica para se poder estudar a formação de um recife de corais de águas frias, sendo que a data exata do afundamento e - consequentemente - a idade máxima dos organismos que colonizaram o naufrágio, é conhecido. 

A equipa da Fundação Rebikoff-Niggeler (FRN) já produziu imagens de vídeo emresolução do naufrágio.

No entanto, a exploração científica ainda se encontra numa fase muito inicial. No âmbito do projeto será também elaborado um fotomosáico em 3D, para visualizar o naufrágio completo e o seu enquadramento no ambiente natural.

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